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Hábitos

As pulgas são insetos pequenos (1 a 8,5 mm de comprimento), desprovidos de asas e vivem como parasitas externos de animais domésticos, silvestres e do próprio homem, alimentando-se de sangue. Algumas espécies apresentam especificidade de espécie-hospedeiro, ou seja, parasitam apenas uma espécie animal. Outras, embora apresentando hospedeiros preferenciais, podem sugar outros animais, daí sua importância na transmissão de doenças.


As espécies de maior importância são:


  • Pulex irritans é a que preferencialmente parasita o homem, embora também possa se alimentar de outros hospedeiros;
  • Xenopsylla cheopis é a pulga dos ratos domésticos, sendo a principal transmissora da peste bubônica e do tifo murino ao homem. Foi introduzida em todos os países do mundo com o rato preto (Rattus rattus) e ratazana (Rattus norvegicus) transportados em navios mercantes, particularmente na segunda metade do século IX;
  • Ctenocephalides canis e C. felis são parasitas preferenciais do cão e do gato;
  • Tunga penetrans conhecida como "bicho-de-pé". Geralmente ocorre em solos arenosos. Os principais hospedeiros são: porco, homem, cão e gato. No homem, penetra principalmente na sola plantar, calcanhar, canto dos dedos (dos pés e das mãos), entre outros locais.

As pulgas, em geral, se movimentam bastante e suas patas posteriores estão adaptadas para saltarem de 17 a 20 cm verticalmente e 35 à 40 cm horizontalmente (menos a espécie Tunga penetrans). São insetos muito sensíveis às variações externas de temperatura e umidade.

Ciclo de Vida

A pulga passa por quatro estágios de desenvolvimento: ovo, larva, pupa e adulto. Em condições favoráveis de temperatura, umidade e alimentação e dependendo da espécie, o ciclo vital de ovo ao adulto pode se completar de 3 a 4 semanas. O acasalamento geralmente ocorre no animal hospedeiro.



Cada pulga, dependendo da espécie, põe seis ou mais ovos em várias posturas, perfazendo 500 a 600 em toda sua vida, com apenas um acasalamento inicial. Os ovos normalmente são depositados no habitat ou no próprio hospedeiro e, por não serem pegajosos, caem no solo dentro do ninho ou cama dos animais, nos tapetes e outras áreas preferidas pelos animais ou pelo próprio homem. Os ovos eclodem no período de 2 a 12 dias, dependendo da temperatura e umidade. Em temperaturas baixas podem permanecer no estágio de ovo por até um ano. As larvas são pequenas, vermiformes e são encontradas dentro das residências entre as fendas do taco no assoalho, no rodapé, tapete, carpete, cantos de cama, e, fora das residências, em canis, ninhos de animais, caixas de areia, entre outros. Elas se alimentam de quase todo tipo de resíduos orgânicos, especialmente de fezes de pulgas adultas. No fim de um período de 9 a 20 dias, tecem um casulo de seda com incrustações de grãos de poeira, formando-se a pupa. O período pupal varia de 7 a 14 dias e, em condições desfavoráveis, pode durar até um ano antes do adulto abandonar o casulo. Este fato explica porque uma residência que ficou vazia durante algum tempo, pode estar fortemente infestada de pulgas no retorno de seus moradores. O aumento de umidade, temperatura e a vibração podem ser estímulos para o adulto emergir do casulo. Os adultos estão prontos a se alimentar em 24 horas após a saída do casulo. A cópula ocorre após o primeiro repasto sanguíneo. A longevidade do adulto é muito variável, dependendo da espécie, do estado alimentar, temperatura e umidade. Por exemplo, a Pulex irritans, quando em ótimas condições, pode viver até 500 dias e a Xenopsilla cheopis, 100 dias.


Agravos para a saúde

Sua importância pode ser destacada em dois níveis: como parasitas propriamente ditos e como vetores biológicos. Como parasitas, destacamos as irritações cutâneas e lesões provocadas pelas picadas, propiciando a instalação de fungos e bactérias. Como vetores biológicos, destacamos a peste bubônica e o tifo murino transmitidos através da picada da pulga dos roedores. As pulgas dos cães e gatos podem ser vetores do parasita que causa a dipilidíase.

Medidas Preventivas

Algumas atitudes podem ser tomadas no sentido de eliminar as condições que propiciam a existência das pulgas:


  • As casas devem ser limpas pelo menos uma vez por semana, de preferência com o auxílio de aspirador de pó, evitando assim o acúmulo de poeiras nos tapetes e tacos, a qual pode servir de alimento para as larvas;
  • Se o piso for de tacos ou tábuas, estes devem ser calafetados, pois as fendas existentes entre eles podem constituir criadouros para pulgas;
  • Deve-se manter a higiene periódica dos animais domésticos, bem como lavagem frequente da "cama" do animal (panos, esteiras ou similares);
  • Deve-se observar os cuidados ambientais para evitar proliferação de roedores;
  • Usar calçados para impedir a penetração de pulgas "bicho-de-pé".


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